Foto: Alessandra França

Linha D’Água –  FestFoto 2025
Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre
27 de setembro a 31 de outubro

O FestFoto – Festival Internacional de Fotografia de Porto Alegre chega à sua 18ª edição com o com o tema Linha d’Água. As exposições abrem no dia 27 de setembro na Praça da Alfândega e no Espaço Força e Luz, no centro da capital.

PROGRAMAÇÃO

27 de setembro, Sábado
10h – Abertura da exposição Árvore, com performance-instalação “Wazaká – A árvore do mundo”, Coletivo Frete Grátis (20 minutos)
Praça da Alfândega (frente ao Margs)

16h – Boas-vindas
Com Henilton Menezes, Secretário de Fomento e Incentivo à Cultura (MinC)

16h15 – Apresentação dos artistas convidados Ana Sabiá, Cassio Vasconcellos, Claudia Jaguaribe, Leopoldo Plentz, Pedro David Rogério Assis (SP) e Rogério Reis (RJ)

17h30 – Performance-instalação “Frete Grátis para todo o Norte, Exceto para o Brasil” (20 minutos)

18h – Abertura das exposições na Galeria Arquipélago
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)

30 de setembro (terça-feira)
18h às 19h – Visita guiada com Melissa Flores
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)

4 de outubro (sábado)
16h – Abertura da exposição Futon Afetivo: Tríptico das Águas, obra coletiva com Shinji Nagabe

16h30 – Palestra com Shinji Nagabe
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)

7 de outubro – (terça-feira)
18h – Conversa Bob Wolfenson, seguida de visitação à exposição SUB/Emerso
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)
Auditório Barbosa Lessa

9 de outubro – (quinta-feira)
18hs – Conversa com o autor Mateus Bruxel – Na Mancha da Inundação: Fotojornalismo como Escrita e Memória.Imagens da maior inundação da história de Porto Alegre, sobrepostas aos mesmos cenários um ano depois, buscam preservar a memória coletiva e estimular reflexão sobre o trauma e os desafios impostos pelos extremos climáticos cada vez mais frequentes no Rio Grande do Sul.
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)
Auditório Barbosa Lessa

19h – Lançamento do livro Estas Figuras de Tempos e Sonhos, de Joaquim Paiva, com a presença do autor.
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)
Auditório Barbosa Lessa

11 de outubro – (sábado)
16h – Águas:Território Sagrado nas Religiões de Matriz Africanas apresentação do trabalho da fotógrafa Mirian Fichtner, comentada por Mãe Bia de Yemanjá (Ilha da Pintada) e Iya Sandrali de Oxum (Pelotas)
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)
Auditório Barbosa Lessa

18 de outubro (sábado)
16h – Arte e mudanças climáticas – Emergências e processos criativos – Arte e Emergência Climática, com Cristiano Santana e Marina Chiapinotto
18h – Caso MARGS e o acervo de Luiz Carlos Felizardo, com Raul Holtz (Arquivista e Coordenador do Núcleo de Acervos e Pesquisa do MARGS) e Marco Antonio Filho (fotógrafo e pesquisador)
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)
Auditório Barbosa Lessa

30 de outubro (quinta-feira)
18h – Pequena Enciclopédia Sociopolítica Ilustrada do Brasil Contemporâneo, de Andrea Eichenberger. Visita guiada e conversa da autora com Sinara Sandri, co-diretora do FestFoto, Niura Legramante Ribeiro (UFRGS), Charles Monteiro (PUC) e Cornélia Eckert (UFRGS)
Com o apoio do Instituto Francês de Paris.
Espaço Força e Luz (R. dos Andradas, 1223 – Centro Histórico)
Auditório Barbosa Lessa


EXPOSIÇÕES

Árvore – 27 de setembro a 9 de outubro
Praça da Alfândega
Centro Histórico

Convidados:
Ana Sabiá – Utopias Botânicas
Cássio Vasconcellos – Viagem Pictoresca pelo Brasil
Claudia Jaguaribe – Viveiro
Leopoldo Plentz – Topografia
Pedro David – Sufocamento
Rogério Assis – Rios Aéreos
Rogério Reis – Na Lona

Fotograma Livre – Tema Árvore
Alessandra França (AM) – Minhas saudades passam pelos rios
Bruno Ribeiro (BA) – Interferência
Carolina Leipnitz (RS) – Raiz e Memória
Daniel Mira (DF) – Me Deixe Existir
Fabiano Carvalho (AC) – Placa Mãe
José Roberto Bassul (DF) – Cidades Invisíveis
Kitty Paranaguá (RJ) – Para Além das Flores
Nilmar Lage (MG) – Pós-Vale do Aço
Nivando Bezerra – O Sussurro e a Lágrima
Ricardo Ravanello – Biodesign

Exposição Retratando Histórias
Fotos realizadas pelos participantes das oficinas de fotografia no Morro da Cruz em parceria com o Coletivo Autônomo Morro da Cruz e com o CEA – Bom Jesus.
Projeto realizado através do Edital Funarte de Eventos Calendarizados/Ações Continuadas 2023.

Linha D’Água – 27 de setembro a 18 de outubro
Galeria Arquipélago
Espaço Força e Luz
Visitação: segunda-feira a sexta-feira (10h às 19h) e sábado (11h às 18h).

Convidados:
Bob Wolfenson – Sub/Emerso
Andrea Eichenberger – Pequena Enciclopédia Sociopolítica Ilustrada do Brasil Contemporâneo (Com o apoio do Instituto Francês de Paris)
Melissa Flores – Inconcebíveis


Consolidado como um dos eventos mais importantes da fotografia contemporânea no Brasil e na América Latina, o FestFoto investe na conexão com performance e poesia e amplia suas atividades para levar fotografia ao espaço público central e a comunidades da capital. A programação mescla exposições com artistas reconhecidos, ateliers de produção e construção coletiva de obras. 

Entre os destaques está a presença de fotógrafos como Bob Wolfenson e Rogério Reis, do artista visual Shinji Nagabe, o intercâmbio com o coletivo de artistas multilinguagem Frete Grátis e a participação de poetas portoalegrenses Agnes Maria, Mikaa e Felipe Deds.  

Em 2025, o Festival reafirma sua vocação de ser um lugar de escuta, resistência e transformação, trazendo a fotografia como linguagem capaz de atravessar questões sociais, ecológicas e humanitárias. Passados mais de um ano das enchentes de maio de 2024 que paralisou todo o estado do Rio Grande do Sul, o FestFoto se vê no desafio de manter sua proposta de evento cultural com perfil de prestador de serviço e se coloca no desafio de buscar os caminhos que a fotografia percorre para tratar das questões ambientais e que se somam ao debate sobre as mudanças climáticas.


LINHA D’ÁGUA

O tema Linha d’Água é uma metáfora visual e poética que aborda o visível e o invisível, a superfície e a profundidade, as camadas da memória, do corpo e do território. Em um tempo em que a crise climática já não é uma possibilidade futura, mas uma situação cotidiana, o Festival reúne uma série de trabalhos que refletem sobre as questões ambientais. A partir das obras, emergem alertas ainda mais urgentes, em um cenário como Porto Alegre e o Rio Grande do Sul que enfrentaram a maior catástrofe ambiental de sua história, com a enchente de 2024. Nesse núcleo temático, o destaque é para a exposição Sub(Emersos), de Bob Wolfenson que apresenta 23 fotografias que sofreram os efeitos de uma inundação que ocorreu no estúdio do fotógrafo em 2020. Ao resgatar as imagens em papel, o autor manteve os efeitos provocados pela água e ressignificar as fotografias, reunidas na exposição que apresentamos no FestFoto. 


ÁRVORE – UMA REFLEXÃO COLETIVA

A exposição fotográfica Árvore é um ato de ocupação cultural na Praça da Alfândega, local que ficou submerso por 2 metros de água, durante 30 dias, em maio de 2024.

A enchente de maio de 2024 colocou toda a sociedade gaúcha diante da necessidade de reagir. Em agosto daquele ano, o FestFoto realizou uma exposição reunindo um conjunto de imagens realizadas durante o alagamento, dando um panorama abrangente da situação vivida. Em 2025, seguimos com a preocupação ambiental e tivemos como objetivo reunir obras que vem observando a relação humana com a natureza, em especial, a compreensão da importância das árvores no equilíbrio ambiental e o tratamento dado a elas. A mostra propõe uma reflexão sobre a árvore – como vegetal, como sistema de comunicação, proteção, ancestralidade.

A exposição será realizada ao ar livre na Praça da Alfândega, no Centro Histórico de Porto Alegre e exibe o trabalho de oito convidados/as do FestFoto: Cássio Vasconcelos (SP), Claudia Jaguaribe (SP), Leopoldo Plentz (RS), Pedro David (MG) Rogério Assis (SP), Rogério Reis  (RJ) e Ana Sabiá (SC). A mostra se completa com o trabalho de 10 artistas finalistas do Fotograma LIvre, concurso internacional realizado anualmente pelo FestFoto: Alessandra França (AM), Bruno Ribeiro (BA), Carolina Leipnitz (RS), Daniel Mira (DF), Fabiano Carvalho (AC), José Roberto Bassul (DF), Kitty Paranaguá (RJ), Nilmar Lage (MG), Nivando Bezerra (CE) e Ricardo Ravanello (RS). 

O público também poderá ver a exposição [Re]Tratando Histórias, resultado das oficinas de fotografia feitas pelo FestFoto Descentralizado em 2024 com participantes das comunidades do Morro da Cruz e Bom Jesus. 

O FestFoto – Criado em 2007, se tornou referência ao conectar artistas, curadores, pesquisadores e público em torno da reflexão crítica sobre a imagem. Reconhecido por ter sido o primeiro festival brasileiro a adotar a fotografia  projetada, sem prejuízo para a fotografia impressa, o FestFoto é um espaço de acessibilidade, diversidade e descentralização cultural, aproximando a fotografia de diferentes territórios e comunidades. O FestFoto criou a maior plataforma de leituras de portfólios do país e aproximou fotógrafos e fotógrafas brasileiros(as) das produções de fotografia na América do Sul, América do Norte, Europa, Japão e China, abrindo portas para novas gerações ao mercado da arte e festivais internacionais. Ao longo dos seus 18 anos, o FestFoto possibilitou que a fotografia brasileira tivesse maior visibilidade no cenário internacional. No plano nacional, o FestFoto é uma oportunidade para fotógrafos (as) de todas as regiões do Brasil se encontrarem em Porto Alegre para trocas e intercâmbio intenso e aproximação entre curadores(as) e artistas. 

Entre os momentos marcantes do Festival, estão a exposição Genesis, de Sebastião Salgado, com curadoria de Lélia Salgado, a participação de Martine Franck e Marc Riboud, da agência Magnum, as homenagens a Claudia Andujar, Luis Humberto, Luiz Carlos Felizardo e Ricardo Chaves, além dos principais nomes da fotografia brasileira, fotógrafos, curadores, pesquisadores, educadores que ajudaram a construir o FestFoto.


SERVIÇO

Data: 27 de setembro a 31 de outubro de 2025
Locais: Praça da Alfândega e Espaço Força e Luz – Porto Alegre
Realização: FestFoto
Entrada: Gratuita
Acessibilidade: Sessões com intérprete de LIBRAS, audiodescrição e materiais acessíveis.

O FestFoto é financiado através da lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, com Patrocínio Master do Itaú e Patrocínio CSN – Apoio Espaço Força e Luz, Rede de Produtores Culturais da Fotografia no Brasil e Institut Français – Produção Brasil Imagem – Realização FestFoto e Ministério da Cultura Governo Federal.


FICHA TÉCNICA

Exposições

Sub(Emersos), de Bob Wolfenson – A exposição apresenta 23 fotografias que sofreram os efeitos da inundação que ocorreu no estúdio do Bob em 2020. Ao resgatar as imagens em papel, Bob manteve os estragos físicos feitos nas fotografias e transformou na exposição que apresentamos no FestFoto. 

Pequena Enciclopédia Sociopolítica do Brasil Contemporâneo, de Andrea Eichenberger – Partindo de ícones de elementos que representam um momento social e político do Brasil recente, a fotógrafa brasileira radicada em paris Andrea Eichenberger, cria um mosaico de pequenos ícones e chama para a reflexão do valor embutido em cada um desses ícones. Andrea vem a Porto Alegre para uma palestra no dia 30 de outubro.

Exposição Inconcebíveis, de Melissa flores
A série ‘Inconcebíveis’, de Melissa Flores, empresta um olhar delicado sobre as relações familiares, a maternidade, a infertilidade e o luto.
Melissa pesquisa fotos antigas e de seu próprio universo familiar. Garimpa imagens e textos como quem remonta um álbum de família onde os laços não são de sangue, mas de sentimentos.
Invertendo a lógica, o que une essas mulheres e seu entorno é a perda e a impossibilidade.
Pedras colocadas sobre as fotos falam do peso do silêncio, um silêncio que tem cor, tem forma, tem volume e ocupa um espaço enorme na família.
Como pequenos planetas, são testemunhas do nascimento das estrelas e da formação do universo. 
Eternas, matéria e essência do mundo, nos ensinam sobre como sobreviver à morte dos sonhos.

Futon Afetivo: Tríptico das Águas,  de Shinji NagabeUsando como matéria prima, a memória do conforto e sensação de carinho e acolhimento que guarda do presente que recebeu da sua mãe, um Futon feito de retalhos de sobras recolhidos na fábrica de tecidos em que a mãe trabalha, Shinji Nagabe, um nipo-brasileiro radicado em Madri, propõe a criação de uma obra coletiva, que vai unir fotografias impressas em pano e costura coletiva, confeccionada em três partes: um Futon criado pelas mulheres da usina de reciclagem do Centro de Educação Ambiental da Vila Pinto, no bairro Bom Jesus, zona leste de Porto Alegre; um Futon criado pelos adolescentes das oficinas de fotografia ministradas pelo FestFoto em parceria com o Coletivo Autônomo do Morro da Cruz e um Futon criado pelo público do FestFoto. Os Futons feitos pelas mulheres da Bom Jesus e jovens do Morro da Cruz integram as atividades da 2ª edição do FestFoto Descentralizado. Os três formam o Futon Afetivo: Tríptico das águas. A confecção dos Futons será realizada com a presença do Shinji Nagabe em Porto Alegre e o Tríptico será exposto no Espaço Força e Luz.


ARTISTAS CONVIDADOS DO FESTFOTO 2025

  • Cássio Vasconcellos – Fotógrafo paulistano conhecido por composições aéreas e experimentações com paisagens urbanas e naturais.
  • Cláudia Jaguaribe – Artista visual que explora relações entre natureza, cidade e identidade por meio da fotografia e vídeo.
  • Leopoldo Plentz – Fotógrafo gaúcho cuja obra transita entre o cotidiano e a memória afetiva, com forte apelo poético.
  • Pedro David – Fotógrafo mineiro que investiga paisagens e transformações do território brasileiro em narrativas visuais.
  • Rogério Assis – Fotógrafo documental voltado a temas socioambientais, especialmente a região amazônica.
  • Rogério Reis – Fotógrafo e jornalista que retrata o cotidiano urbano com foco em temas sociais e políticos.
  • Andrea Eichenberger – Artista e pesquisadora que desenvolve projetos fotográficos sobre identidade, deslocamentos e fronteiras.
  • Bob Wolfenson – Fotógrafo renomado na moda e retrato, com incursões autorais que abordam a cultura brasileira.
  • Melissa Flores – Fotógrafa e artista visual que investiga memórias, ancestralidades e apagamentos por meio da imagem.
  • Shinji Nagabe – Artista nipo-brasileiro cuja obra mistura elementos da cultura pop, identidade e tradições japonesas.
  • Ana Sabiá – Fotógrafa, pesquisadora e professora que trabalha com autorrepresentação, surrealismo e poéticas feministas.
  • Mateus Bruxel Fotógrafo e jornalista. Vive em Porto Alegre. Trabalha para o jornal Zero Hora e desenvolve projetos de fotografia e vídeo. Já recebeu diversos prêmios e teve fotografias exibidas em mostras no Brasil, Uruguai, México, Nova Iorque e Londres.

ARTISTAS E OBRAS SELECIONADAS DA CONVOCATÓRIA 2025

Ricardo Ravanello 

Ricardo Ravanello é fotógrafo, professor, mestre em Ciências da Linguagem e Doutor em Ciências da Comunicação. A partir de suas pesquisas teóricas, adotou como filosofia de criação, a valorização de dois aspectos da fotografia: o primeiro, é a sua materialidade. Daí o interesse em explorar os processos históricos de impressão química, que conferem à fotografia uma condição de originalidade, exclusividade e raridade. 

Obra: Biodesign – Em Biodesign, reduzimos o colorido da flora ao monocromático, utilizando uma luz suave e um fundo neutro, buscando-se decantar as formas primitivas que surgem como peças esculturais modeladas pelos milhões de anos da evolução. Fotografando com uma lente macro, cada imagem final é produzida digitalmente somando dezenas de fotografias tomadas de maneira a capturar progressivamente todos os planos de foco (empilhamento de foco). Assim, além da forma, conseguimos também destacar as texturas, que, em sua escala natural, não são percebidas pelos nossos olhos. Essas imagens impressas, por ganharem um aspecto gráfico, são confundidas com desenhos. A maneira como a tridimensionalidade e as texturas são capturadas, resultado do processo de empilhamento de foco executado por um algoritmo, não são naturais à percepção biológica que vê com reduzida profundidade de campo, tampouco são de uma falsa flora como as ficções de Herbarium. Pelo contrário, revelam aspectos do mundo natural de forma mais “científica” que nosso sistema visual permite ver. Paradoxalmente, esse hiper-real, frente aos nossos sentidos limitados, apresenta-se ao imaginário como ficção. E nesse ponto vemos um dos progressos da linguagem a partir das novas tecnologias. Durante toda a história da fotografia, a busca ontológica do meio, ora pela via da técnica, ora pelo discurso, foi na direção da verossimilhança com o real, em ato de vassalagem ao documento. As novas formas de produzir imagens no sistema digital, que unificam sistemas óticos com algoritmos, tendem a incluir na produção de imagens, outras formas além das emanações de luz da realidade concreta. Com isso abre-se um enorme campo de atuação ao imaginário, uma vez que é possível se desprender do mundo material e inventar imagens sem referências. As imagens de Biodesign, embora não representem árvores em sua totalidade física, evocam seus princípios – código-matriz, como modelo orgânico que comunica a complexidade do mundo natural. Nessas imagens a fotografia é linguagem, abrigo e expressão da continuidade entre natureza, cultura e tecnologia.

Bruno Ribeiro

Bruno Ribeiro, 54 anos, fotógrafo e artista visual natural de Salvador, iniciou sua carreira aos 18 anos, atuando em diversas áreas da fotografia. Hoje, soma mais de três décadas de trajetória vivendo exclusivamente da arte. Realizou diversas exposições individuais, participou de salões de arte, exposições coletivas no Brasil, além de mostras internacionais na Colômbia e nos Estados Unidos. Teve obras publicadas em livros e guias internacionais. 

Obra: Interferência – A série “Interferência” investiga a relação entre natureza e expressão humana por meio de uma técnica mista que combina fotografia, pintura, colagem e sobreposição. As imagens partem do registro fotográfico de árvores e galhos que são posteriormente trabalhadas manualmente e digitalmente, sobrepondo camadas cromáticas, formas abstratas e gestos pictóricos ao registro original. O processo busca romper a neutralidade da fotografia documental, tensionando o olhar do espectador entre o real e o subjetivo. A pintura intervém como ruído, como presença, como interferência — sugerindo memórias, fragilidades e potências da natureza em um tempo de excesso de imagens e devastação ambiental. “Interferência” é, portanto, um ensaio visual sobre permanência e transformação. Cada imagem resulta do embate entre controle técnico e impulso criativo, entre captura e criação, propondo uma experiência sensível e simbólica com o mundo natural.

José Roberto Bassul 

Nascido no Rio de Janeiro, José Roberto Bassul (1957) cresceu em Brasília, onde se graduou e obteve um mestrado em Arquitetura e Urbanismo. Teve aulas de fotografia quando ainda era adolescente. Após uma prática longa, intensa e diversificada como arquiteto, voltou à sua dedicação artística exclusivamente para a fotografia. Bassul define seus trabalhos visuais como “uma tentativa de desenhar pensamentos, projetar desejos e construir espaços para a imaginação”. 

Obra: Cidades Invisíveis 

Kitty Paranaguá 

Kitty Paranaguá (1955) nasceu, vive e trabalha no Rio de Janeiro. Sua obra retrata aspectos e espaços geográficos a partir da conexão que estabelece com pessoas, lugares, crenças, humores e memórias. Com mais de quarenta anos de fotografia, Kitty Paranaguá Iniciou sua carreira como repórter fotográfica no Jornal do Brasil, onde trabalhou por 4 anos.

Obra: Para Além das Flores… 

Nilmar Lage

Mestre pelo Programa Interdisciplinar de Pós Graduação em Estudos Rurais da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFJVM) (2021), com uma pesquisa fotoetnográfica sobre a Comunidade Quilombola do Ausente. Pós Graduado em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Estácio de Sá (2019). Graduação em Comunicação Social / Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (2006). Além de formação internacional no Centro de Fotografia de Montevideo (CDF) e pela Escuela Internacional de Cine Y TV (EICTV), em Cuba. 

Obra: Pós-Vale do Aço 

Nivando Bezerra 

Nivando Bezerra é graduado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará em 2020, dedica-se a trabalhos autorais que têm integrado mostras em diversos festivais de fotografia: Encontros de Agosto em 2016, Festival Solar em 2018 (Mostra de Fotógrafos Cearenses), Foto Sururu em 2020, Festival Solar 2022 (mostra Horizontes Desejantes) e mais recentemente em 2025 a exposição coletiva Paisagens do Invisível, Poéticas de Si no Museu da Fotografia Fortaleza.

Obra: O sussurro e a lágrima 

Fabiano Carvalho

Psicólogo e fotógrafo atuante na Amazônia acreana, onde desenvolve práticas artísticas ligadas ao cuidado, à escuta e à relação sensível com o território. 

Obra: Placa mãe 

Daniel Mira

Daniel Mira é um pensador da arte. Atuando como artista, pesquisador e empreendedor criativo. Graduou-se em artes pela Universidade de Brasília, especializando-se em Poéticas Visuais, como mestre em Design e doutor em processos criativos inspirados na natureza pela Universidade de Brasília. Atua no contexto das pesquisas “poéticas” inspiradas na natureza, tendo como abordagem a interseção entre o sensível e o lógico para formação do pensamento humano e suas expressões. 

Obra: ME DEIXE EXISTIR 

Carolina Alberton Leipnitz

Carolina Alberton Leipnitz é fotógrafa documental e artista visual, atuando com fotografia desde 2006. Formada em Relações Públicas, constrói uma abordagem sensível e socialmente engajada em torno de temas como memória, resiliência, nascimento e desastres climáticos. 

Obra:  Raiz e Memória 

Alessandra França

Artista Visual e Fotógrafa, de Itacoatiara/AM. Formação em Administração de Empresas e especialização em Gestão de Pessoas (UERJ). Cursando Museologia (UNB). Os trabalhos autorais são voltados para memórias afetivas mesclando colagem, fotografias explorando a combinação de diversos materiais e técnicas para criar obras que desafiam a percepção e a reflexão.

Obra: Minhas saudades passam pelos rios…


ACESSIBILIDADE E DESCENTRALIZAÇÃO DA CULTURA 

Em sua 18ª edição, o FestFoto reafirma seu compromisso com a acessibilidade, diversidade, descentralização e sustentabilidade, fortalecendo o diálogo entre arte, território e sociedade, tanto em espaços expositivos de Porto Alegre quanto por meio de sua plataforma digital, que conecta o Festival ao público global. O marco mais recente do FestFoto foi a criação de uma versão descentralizada, realizada em territórios periféricos de Porto Alegre, o FestFoto Descentralizado. A primeira edição aconteceu em 2024 com atividades de fotografia no Morro da Cruz e Bom Jesus, localizadas na zona leste de Porto Alegre. Em 2025, a segunda edição acontece novamente nessas comunidades, mas com novidades, incluindo atividades educativas envolvendo uma escola pública de ensino fundamental (EMEF Morro da Cruz), um desejo antigo do  FestFoto que se tornou realidade e outras duas grandes oficinas. 

Investindo na multilinguagem, o Descentralizado também realizará no Morro da Cruz uma atividade de escrita criativa com os jovens que irão fazer a oficina de fotografia em parceria com a ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz até o final de setembro. A oficina unirá literatura e fotografia e resultará em um Sarau com poesia falada sobre as imagens feitas pelos alunos. Estes mesmos jovens irão integrar a oficina “Futon Afetivo: Tríptico das Águas”, de Shingi Nagabe, que será realizada também com mulheres do Centro de Triagem da Vila Pinto em parceria com o Centro de Educação Ambiental (CEA) da Bom Jesus. Além desta atividade, a Bom Jesus vai receber uma oficina de fotografia focada em retratos que será feita com membros do CEA.

A acessibilidade também é um eixo central do FestFoto 2025. Neste ano, a edição terá: 

  • Materiais com legendas, descrição de imagem, leitura ampliada, formatos digitais acessíveis, Alto Contraste e versões acessíveis.
  • Sessões com intérprete de LIBRAS e audiodescrição ao vivo.
  • Programação inclusiva e gratuita.