Linha d’água

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Após dias de alagamento persistente no bairro Cidade Baixa, o recuo da água revela peixes mortos sobre a calçada na rua João Alfredo. Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Maio, 2024. Foto: Mateus Bruxel.
Após dias de alagamento persistente no bairro Cidade Baixa, o recuo da água revela peixes mortos sobre a calçada na rua João Alfredo. Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Maio, 2024. Foto: Mateus Bruxel.

Rios, riachos e lagos são linhas d’água fundamentais para a sobrevivência e conexão física e espiritual com o mundo. A água também representa o desejo e a possibilidade de purificação, praticados em inúmeros rituais ancestrais.

Infelizmente, as águas têm sofrido grandes abalos e os eventos climáticos extremos alertam para a urgência de regenerar nossa relação com o ambiente.

A grande enchente de maio de 2024 esparramou águas e terras que escorreram planalto abaixo. As marcas tatuaram as paredes das cidades com estrias vermelhas. A população atônita encontrou a linha d’água e, no limite entre boiar e afundar, viu o frágil equilíbrio entre forças e densidades.

É preciso cuidar da nossa visão e desobstruir a linha d’água dos nossos olhos. Refletir sobre a água que ocupamos, represamos, poluímos e fazemos escassear. As florestas que destruímos, bloqueando os processos naturais de circulação de chuvas. A linha d’água subiu e é preciso emergir humanos dispostos a abandonar a centralidade de um ser que se coloca em um trono de rei da natureza.

Linha D’Água é o tema do FestFoto 2025. Bem vindos(as)!