O mês de julho de 2024 foi marcado por duas grandes atividades do FestFoto Descentralizado na comunidade do Morro da Cruz e no bairro Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre. Alunos da ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e membros do Centro de Educação Ambiental (CEA) realizaram oficinas de fotografia com celular, ministradas pelo professor e fotógrafo Tiago Coelho. Foram três dias de atividade em cada uma das localidades, incluindo saídas de campo para a prática fotográfica.
Durante as oficinas, os alunos foram apresentados a conceitos importantes da fotografia como, por exemplo, exposição e composição, compreendendo a importância do preparo para fazer uma boa imagem. Tiago também compartilhou dicas fundamentais para ensinar como configurar bem o celular de cada um dos participantes, transformando o equipamento em uma potente ferramenta para contar histórias por meio de fotografias.

O ponto central das oficinas foi justamente esse: ensinar jovens e adultos a utilizarem a imagem como ferramenta para se tornarem grandes narradores das realidades das comunidades onde vivem. Para Sinara Sandri, coordenadora do FestFoto Descentralizado, as oficinas cumpriram esse objetivo.
“Eu acho que o pessoal se dedicou bastante. Eles já têm uma familiaridade com imagem, com celular, tá todo mundo fazendo foto. Mas eu acho que eles entenderam que dá pra olhar com a intenção de contar uma história. E era isso que a gente queria. Despertar, né? Essa ideia de que a fotografia, a técnica fotográfica, é uma possibilidade de contar uma história e também é uma possibilidade de ver o teu cotidiano de uma forma mais poética. Porque às vezes as pessoas acham que só o que tá muito longe é bonito, né? Então assim, tu te dá conta que o bairro que tu mora é legal, que aqui é um lugar legal, que as tuas coisas dão uma foto bonita. Então isso é importante. De ter essa percepção de que a tua vida dá foto. Que a tua vida vale a pena. Eu acho que isso eles perceberam”, explica Sinara.

Considerado o recurso mais acessível para que moradores de comunidades periféricas contem suas histórias com imagens, o celular foi o principal elemento para que os alunos aguçassem algo fundamental na fotografia: o olhar fotográfico. Segundo Carlos Carvalho, fotógrafo e produtor-executivo do FestFoto, tanto os jovens quanto os adultos conseguiram, através da oficina, encontrar suas próprias maneiras de fazer fotos, testando, ousando e tendo ótimos resultados.
“Acho que todo mundo que participou tem uma vontade de melhorar as fotos que eles já sabem fazer. E eles foram muito dedicados a isso. Ficaram atentos aos truquezinhos que a gente pode utilizar para corrigir as imagens. O mais importante, eu imagino, foi que eles tenham percebido que podem fazer grandes fotos, grandes imagens com o celular. Não precisa ter uma máquina fotográfica sensacional. E o mais importante é o olhar. Eu fiquei bem feliz em perceber como eles já têm um olhar, uma curiosidade. Tem imagens ali super legais com bastante ousadia, composição e tal. Acho que essa foi a parte que me deixou mais feliz”, conta.
Juliane Lima Schossler, 14 anos, aluna da ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz, gostou dos três dias de oficina. Para ela, o mais interessante foi o conhecimento transmitido nas atividades.
“Sim, eu achei bem interessante. Me ensinou bastante coisa que a gente não aprenderia e que teria que ter anos de faculdade pra aprender, né? E agora a gente consegue sentir muitas coisas pelas fotos, né? Agora a gente consegue ver o morro de outra forma”, disse a aluna.
Que venha a exposição

Ao final das oficinas, os alunos puderam escolher algumas de suas fotografias para compor uma grande exposição em formato lambe-lambe, que será realizada nas ruas do Morro da Cruz e Bom Jesus no dia 24 de agosto. Os locais onde as fotos serão expostas ainda estão sendo definidos. Com o nome de [Re] tratando histórias, a exposição terá a seguinte a programação:
- 10h – Inauguração e visita à exposição de fotografia no Morro da Cruz
- 14h – Inauguração e visita à exposição de fotografia na Bom Jesus
- 15h30 – Imagens que Falam, com slammers de Porto Alegre, na Praça dos Anjos (Bom Jesus)
Mais informações sobre o festival e as ações do FestFoto Descentralizado podem ser acompanhadas nas redes sociais oficiais do evento.