Exposição [Re] tratando histórias une fotografia e slam em sábado ensolarado no Morro da Cruz e Bom Jesus

No último sábado (24), as ruas do Morro da Cruz e da Bom Jesus, na zona leste de Porto Alegre, se transformaram em grandes galerias a céu aberto com a exposição [Re] tratando histórias, promovida pelo FestFoto Descentralizado. A mostra em formato lambe-lambe é resultado da Oficina de Fotografia com Celular, realizada nas duas comunidades no fim de julho. As aulas ocorreram na sede da ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e também no Centro de Educação Ambiental (CEA), na Bom Jesus.

Na primeira etapa da oficina, os alunos aprenderam conceitos básicos de fotografia e técnicas para tirar boas fotos com o celular. Ao final, a missão era clara: registrar imagens que seriam expostas nas próprias comunidades. No sábado, o público pôde conferir o resultado do trabalho.

Na Bom Jesus, parte das fotografias foi exibida na sede do CEA e também em pontos ao redor. No Morro da Cruz, as imagens foram fixadas em locais como a rua Ernesto Araújo, esquina com a Martins de Lima, na Travessa Vinte e Cinco de Julho, entre outros endereços.

Confira os locais onde as imagens estão expostas:

Fotografia de um muro colorido com painéis pintados em tons de azul, verde, laranja e rosa. Neles estão coladas imagens fotográficas e, em destaque, um grande cartaz laranja com o logotipo do "FestFoto Descentralizado 2024" e os dizeres “artistas em movimento cruzado”. Abaixo do logotipo, aparecem logomarcas de apoiadores e patrocinadores, incluindo Funarte, Ministério da Cultura, Banrisul, Fundação Ecarta e outros. À esquerda do cartaz, vê-se parte de uma exposição de fotografias urbanas coladas em sequência sobre o muro. A cena ocorre em ambiente externo, com árvores e fiação elétrica visíveis ao fundo.
Foto: Crystom Afronario

Morro da Cruz:

  • Rua Vidal de Negreiros, 1652 – 1502 – São José
  • Rua Ernesto Araújo, 210 – 206 – São José
  • Avenida Guaraí, 17 – São José
  • Rua Ernesto Araújo, 118 – São José
  • Rua Primeiro de Setembro, 1528 – São José
  • Travessa Vinte e Cinco de Julho, 246 – São José

Bom Jesus:

  • Rua T., 835 – Bom Jesus
  • Rua P., 201 – 261 – Bom Jesus
  • Rua P., 97 – Bom Jesus
  • Rua T., 1030 – Bom Jesus
  • Rua N. – São José
  • Rua N., 134-40 – Bom Jesus
  • Rua I., 232-188 – Bom Jesus
  • Rua I., 186-164 – Bom Jesus
  • Rua P., 99 – Bom Jesus

Um grande encerramento

Fotografia mostra uma parede verde decorada com várias fotografias antigas em preto e branco e em tons sépia, organizadas em fileiras. As imagens retratam cenas de cotidiano, reuniões familiares e momentos históricos de comunidades negras. Em primeiro plano, desfocado, está um jovem com cabelo crespo volumoso e lateral raspada, que sorri levemente enquanto observa a exposição. O clima da cena é intimista e afetuoso, sugerindo um ambiente de memória e valorização da ancestralidade.
Foto: Crystom Afronario
Fotografia colorida mostra um grupo diverso de 13 jovens negros e negras reunidos em uma área aberta com árvores e prédios ao fundo. Eles posam sorrindo e fazendo gestos com as mãos, expressando alegria, orgulho e união. Alguns usam roupas esportivas, outros casacos estilosos, gorros e tranças longas. Um dos jovens, agachado no centro, segura publicações com a capa visível, indicando participação em atividades culturais ou educativas. A luz do sol ilumina suavemente o grupo, criando uma atmosfera acolhedora e de pertencimento comunitário.
Foto: Crystom Afronario

Além da mostra [Re] tratando histórias, o sábado também contou com outras atividades na Bom Jesus. Uma delas foi a exposição Marli, do artista visual Erick Peres, que apresentou a trajetória da líder comunitária e fundadora do CEA, Marli Medeiros. A mostra aconteceu na sede do CEA.

O encerramento do evento ficou por conta da emocionante apresentação de slam Imagens que Falam, realizada na Praça dos Anjos. A proposta foi potente e sensível: enquanto as fotografias feitas pelos alunos eram projetadas em um outdoor, os slammers se revezavam para declamar poesias inspiradas nas imagens exibidas. Cada poema nascia a partir da fotografia que surgia no telão, criando um diálogo direto entre palavra e imagem. O resultado foi uma fusão vibrante entre a fotografia e a poesia falada, que emocionou o público e encerrou a programação com intensidade e criatividade. A curadoria foi feita pela artista e slammer Mikaa. Se apresentaram na competição artistas conhecidos no cenário como Agnes Mariá e Felipe Deds.

Mais informações sobre o festival e as ações do FestFoto Descentralizado podem ser acompanhadas nas redes sociais oficiais do evento.