Versos, fotos e experiências: as boas lembranças do FestFoto Descentralizado 2024

O FestFoto Descentralizado realizado em 2024 deixou marcas profundas. As boas lembranças seguem vivas em nossas memórias. Hoje, queremos compartilhar os depoimentos de Agnes Mariá e Vivian Duarte, que viveram o Descentralizado de forma intensa e transformadora.

Agnes Mariá é campeã nacional de slam em dupla, compositora, poeta e escritora. Ela foi uma das artistas que se apresentaram na competição de poesia Imagens que Falam, realizada durante a exposição [Re] Tratando Histórias, no Morro da Cruz e na Bom Jesus. A apresentação aconteceu na Praça dos Anjos, em frente ao Centro de Educação Ambiental (CEA), encerrando o primeiro FestFoto Descentralizado da história.

A união entre poesia e fotografia

Foto: Robson Farias

A competição desafiava os poetas a utilizarem imagens produzidas por alunos da oficina de fotografia com o celular como inspiração para suas apresentações. Cada poeta escolheu as fotos e escreveu seus poemas a partir delas. No dia do evento, enquanto recitavam, as imagens selecionadas eram projetadas em um outdoor, criando uma experiência sensorial na qual imagem e som se entrelaçavam para emocionar o público. Agnes, com quase uma década de experiência no slam, lembra que o formato da competição Imagens que Falam trouxe uma novidade à sua trajetória:

“Acho que foi um slam muito importante, né? Eu que tô no movimento do slam desde o início, desde 2017, vejo como algo muito importante. Primeiro porque foi um slam descentralizado, né? Que aconteceu dentro de uma comunidade que tem uma força cultural, uma potência artística muito forte, que é a Bom Jesus. E enquanto poeta, escritora, eu fico muito feliz de ter participado porque foi um dos primeiros slams que eu participei que teve esse diferencial. Que a gente fez a escrita das poesias a partir de fotos que foram tiradas pelos jovens, pelos adolescentes que estão inseridos dentro das comunidades, dentro de programas sociais, de políticas públicas, né? Direcionadas à arte e cultura. Então foi muito potente poder escrever a partir de imagens. Realmente foi algo diferente. Eu tenho um processo criativo mais longo. Geralmente, eu gosto de escrever com música em cima de um instrumental e essa foi realmente uma das primeiras vezes que eu tive a oportunidade de escrever a partir de uma foto.”

Apesar de ter sido uma competição, Agnes acredita que o grande vencedor foi o público presente no dia. Ela também percebeu uma empolgação coletiva no ar, refletida no envolvimento de todos com a atividade.

“Apesar de ter sido premiada no pódio, acho que quem ganhou é a comunidade e todas aquelas pessoas, né? Que estiveram presentes no dia da competição e puderam participar desse momento tão importante. Eu percebi que todo mundo estava muito empolgado, né? Com a possibilidade de poder mostrar essa escrita que vem a partir desse lugar imagético, né? A partir de imagens. E tem uma coisa interessante que enquanto a gente recitava as fotos que nós escolhemos, elas passavam em um telão. Então, eu posso falar por mim, né? Eu me senti realmente muito emocionada de poder mostrar o que eu produzi. E eu sinto que os outros poetas também estavam muito felizes. Tinha uma sensação de gratidão de poder explorar essa possibilidade da escrita também.”

Uma experiência inexplicável

Fotografia de duas pessoas posando juntas e sorrindo diante de um mural com colagens de fotos e textos. À esquerda, uma pessoa de pele clara, cabelos lisos e loiros, usa jaqueta jeans sobre suéter rosa de gola alta. À direita, uma pessoa de pele parda, cabelos curtos e cacheados, veste jaqueta preta com detalhe branco e logotipo da Puma, além de uma bolsa a tiracolo. O fundo apresenta imagens impressas de paisagens urbanas e elementos gráficos coloridos.
Foto: Robson Farias

Vivian Duarte era aluna do Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC) da ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz quando participou do FestFoto Descentralizado. Atuou como fotógrafa e videomaker, registrando diversas atividades do festival, além de ter participado da oficina de fotografia com celular. Aos 17 anos, hoje trabalha como assistente administrativa, fotógrafa e social media no CRC, por meio do programa Jovem Aprendiz. Para ela, o FestFoto foi uma experiência marcante para sua formação profissional:

“A experiência do FesfFoto Descentralizado de 2024 foi inexplicável. Ter contato com pessoas experientes na área da fotografia, trocar curiosidades e experiências importantes, os aprendizados e a convivência com pessoas novas, mas que se interessam por coisas semelhantes às minhas, que era a fotografia. Foi muito importante e eu vou usar no meu futuro profissional tudo que aprendi.”

A edição de 2025 do FestFoto Descentralizado

Em agosto começam oficialmente as atividades da edição 2025 do FestFoto Descentralizado. Acompanhe as redes sociais do festival e fique por dentro de tudo. O FestFoto Descentralizado é uma realização da Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal. Tem a produção de Brasil Imagem e apoio cultural Agência Compromisso e UERGS. Tem como parceiros a ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e o CEA.